terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Agradecimento

No início dessa semana enviei um pedido à Dra. Glauce, nossa companheira de mergulho e amiga, esposa de nosso também companheiro de mergulho e amigo Dr. Leandro. Pedi a ela para conversar com o Leandro, para que o Mergulhador Universal pudesse utilizar algumas fotos tiradas por ele durante este importante evento. Pedi ainda, que a Glauce fosse minha correspondente do evento, e me enviasse uma narrativa para ilustrar as imagens e fortalecer o documentário. Tamanha e agradável  foi minha surpresa ao receber dois e-mails de Leandro,o primeiro continha  esta narrativa tão bem escrita, e o segundo, as fotos aqui publicadas.  Em nome de todos os companheiros e companheiras de mergulho lhe agradeço! 
Incluo a transcrição do e-mail do Leandro, em sua totalidade:
Boa noite, Leme!
Como correspondente do Mergulhador Universal, tarefa que muito me honra, tentarei relatar brevemente como sucedeu a cerimônia de casamento dos amigos Leandro Rangel e sua amada Rafaela.
Encontramo-nos numa manha cinzenta de sexta-feira, daquela tipo chove-não-chove. O mar, translúcido, quase leitoso, mal nos revelava os parcéis que outrora víamos com detalhes, do trapiche, em dias mais promissores para o mergulho. As ondas batiam forte contra as pedras, e jogava o barco contra o trapiche, que estremecia a cada encontro.
Mas não haveria de ser a pouca visibilidade ou os resmungos do velho São Pedro que abalariam a empolgação dos convidados, e muito menos dos noivos. Estes últimos, leve mas perceptivelmente nervosos, recebiam a todos com alegria e sincero agradecimento pela presença, como fosse um favor o que para nós era pura  honra e satisfação .  
Finalmente, barco carregado e convidados a postos, pusemo-nos a navegar a procura do altar submerso – ainda sem definição. No barco, todos balançavam, e não era por causa do Skank, que cantava Bob Marley como musica incidental através das caixas de som. A embarcação subia e descia ao sabor das ondas nada pequenas que surgiam, arrancando um “noossa” aqui e um “ai,ai,ai” acolá. Confesso que não percebi a situação, pois estava sentado no chão, ocupado em ver, mostrar e discutir fotografias com Mario, outro entusiasta amador da fotografia subaquática. Mas fiquei nauseado, como em poucas vezes num barco. Ao redor, algumas pessoas já começavam a “alimentar os peixinhos” a bombordo e estibordo. Mandei pra dentro um Vonal que a Glau me dera e comecei a entoar um mantra pra melhorar logo. Don’t worry, about a thing.... ‘cause every little thing’s gonna be allright...
Acabou-se decidindo pelo local da cerimônia. A reserva do Arvoredo estava fora de cogitação, pois a violência do mar não nos permitira ganhar o mar aberto. O local eleito, além de belíssimo, não poderia ter nome mais curioso, num casamento já bastante incomum: Sepultura.
Parênteses: Acho divertido pensar na expressão “casamento na Sepultura”, talvez somente pelo espanto e estranheza que essa expressão poderia causar às outras pessoas, não acostumadas a conjugar estas palavras com conotações tão diversas, que inspirem sentimentos antagônicos até. Para mim o elemento sepultura nunca lhe imbuiu de conotações negativas. Antes disso, vem-me à mente a idéia de transformação, passagem de um estado a outro, de uma forma de viver à outra. Dessa maneira, poderia também o casamento do Leandro e da Rafaela na praia da Sepultura ser analisado sob a ótica simbólica da mudança, da existência compartilhada que ambos passam a ter daqui em diante, e dos desafios e alegrias que vivenciarão juntos a partir desse momento. Mas deixemos de lado as elucubrações de um insone...
Caímos na água em dez ou doze mergulhadores. Acredito que empunhássemos cerca de seis ou sete câmeras subaquáticas. O fotografo certamente nunca fora tão fotografado. André, o mestre de cerimônias, conduziu o casamento da forma exemplar, inicialmente a partir do barco, para os mergulhadores que flutuavam na superfície, e depois embaixo d’água,a uma profundidade de quatro a cinco metros, onde era possível verificar que realmente lia o texto preparado com esmero por você para a ocasião.  A visibilidade era baixa, cerca de um metro, talvez menos, o que nos forçava a ficarmos muito próximos uns dos outros. A Glauce usava uma roupa de neoprene preta e vermelha, idêntica à de outro mergulhador. O cômico foi que vez por outra eu procurava a mão da minha esposa, e acabava por segurar carinhosamente a mão do mergulhador, que rapidamente se desvencilhava dos meus afagos... Assim que os noivos assinalaram com um “x” a confirmação de seus votos e trocaram alianças, saudamos o momento com uma salva de tilintares de facas nos cilindros.
Finda a cerimônia subaquática, todos subimos a bordo para as congratulações aos noivos. Devo dizer, sem demagogia, que foi uma das mais belas cerimônias de que participei. Senti-me tão próximo de todos, como um integrante absolutamente necessário de uma família de rara união. É impossível não recordar as frases postadas por você, Leme, em seu blog, de autoria de Jacques Costeau:    E isso faz de nós mais do que amigos, faz de nós mais do que irmãos. Faz de nós... Mergulhadores."
Abraços pesarosos por sua ausência ( fisica)
Leandro

Nenhum comentário:

Postar um comentário